Pensamentos de Nietzsche sobre a mulher
As dissonâncias não resolvidas nas relações de caráter e de conformação espiritual dos pais continuam ressoando na natureza da criança e produzem sua história passional interior.
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Cada um de nós leva dentro de si a imagem de mulher tirada de sua mãe: por isto é que se sente inclinado a respeitar as mulheres em geral, ou desprezá-las, ou a sentir indiferença por elas.
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Aquele que não tem um bom pai deve criar um.
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Os pais tem muito que fazer para compensar o fato de ter filhos.
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Contra a enfermidade dos homens, que consiste em menosprezarem-se, o remédio mais seguro é encontrar uma mulher hábil que os ame.
As mães sentem ciúmes freqüentemente dos amigos de seus filhos quando tem sobre eles uma marcante influência. Habitualmente, o que uma mãe ama em seu filho é mais "ela mesma que seu filho".
Na maturidade da vida e da inteligência, o homem adquire o sentimento de que se pai errou ao engendrá-lo.
Muitas mães tem necessidade de filhos felizes e honrados; outras, de filhos desgraçados: do contrário, sua bondade de mães não poderia manifestar-se.
Alguns homens tem suspirado porque lhes roubaram as suas mulheres: a maior parte, porque não houve ninguém que as raptasse.
As uniões contraídas por amor (o que se chama casamento de amor) tem o erro por pai e a necessidade, por mãe.
Muito bem pode suceder que uma mulhere sinta amizade por um homem; mas para mantê-la é preciso uma pequena antipatia física.
Muitas pessoas, sobretudo algumas mulheres, não sentem o aborrecimento, porque nunca souberam trabalhar regularmente.
Em toda classe de amor feminino, transparece algo do amor maternal.
Se os esposos não vivessem juntos, os bons casamentos seriam mais freqüentes.
Todo contato que não eleva, rebaixa, ou o inverso: por isto os homens descem comumente um pouco ao casarem-se, enquanto as mulheres se elevam. Os homens muito espirituais tem tanta necessidade do matrimônio que resistem a ele com a um remédio que tem sabor desagradável.
Aos filhos de família modestas é preciso ensiná-los a mandar por meio da educação, da mesma forma que a outros a obedecer.
Com a beleza da mulher aumenta, em geral, seu pudor.
Um matrimônio, no qual cada um dos cônjuges quer conseguir um fim pessoal por meio do outro, é muito sólido: por exemplo, se a mulher quer alcançar a reputação por seu marido, o marido o amor, por sua mulher.
As mulheres chegam a ser, por meio do amor, o que são na mente do homem que as ama.
As mulheres amam, na maioria das vezes, a um homem de valor, querendo-o para elas sós. O guardariam em sua bolsa, se a vaidade não o impedisse: querem ostentar o seu valor perante os demais.
A bondade de um lar se prova em comportar alguma vez uma exceção.
Pode-se fatigar e enfraquecer de tal modo a um homem, pelos aborrecimentos, inquietações, acumulação de trabalho e de idéias, que deixe de opor-se a uma coisa que tem aspecto complicado: isto o sabem as mulheres e os diplomatas.
As jovens que não querem prover a sua subsistência por outros meios senão pelo atrativo de sua juventude, e cuja astúcia é estimulada por mães experientes, perseguem justamente o mesmo fim que as cortesãs, somente que são mais astutas e desonestas do que estas.
Há mulheres, nas quais por mais que nelas se procure não se encontra profundidade, não são mais do que máscaras. É preciso compadecermo-nos do homem que se entrega a estes seres quase fantasmas, necessariamente incapazes de satisfazer; mas estas são as mais capazes de despertar mais raivosamente os desejos de um homem: este busca sua alma e continua procurando-a eternamente.
No momento de internarmo-nos no casamento, devemos fazer esta pergunta: crês poderes conversar com tua mulher até a velhice? Tudo o mais no matrimônio é transitório, pois a maior parte da vida em comum está dedicada à conversa.
Agrada às jovens inexperiente a idéia de que podem fazer a felicidade de um homem; mais tarde, conhecem que isto equivale a desprezar a um homem, admitindo que lhe basta uma jovem para fazer a sua felicidade. A vaidade das mulheres exige que o homem seja mais que um marido venturoso.
As mulheres notam facilmente quando se apoderam da alma de um homem; querem ser amadas sem rivais e lhes censuram os fins de sua ambição, seus deveres políticos, sua ciência e sua arte, se tem paixão por estas coisas. Ao menos que estas coisas não lhe dêem explendor: então esperam, enlaçando-se amorosamente com ele, acrescentar ao mesmo tempo "seu" explendor próprio. Se isto for assim, favorecem ao amante.
No ódio, as mulheres são mais perigosas do que os homens; primeiro, porque elas não se detêm em sua hostilidade; uma vez desperta esta, ante nenhum escrúpulo de eqüidade, dão rédea solta a seu ódio até as últimas conseqüências; são muito espertas em buscar os pontos vulneráveis (que todo homem, todo partido apresenta) e em dirigir a esses pontos seus ataques, para o que o seu espírito, aguçado como um punhal, serve-lhes às mil maravilhas (enquanto os homens retrocedem ante a visão das feridas e se fazem magnânimos e misericordiosos).
Depois de uma disputa e uma querela pessoais entre uma mulher e um homem, uma das pessoas sofre, sobretudo, a idéia de haver feito mal à outra, enquanto esta sofre, sobretudo, a idéia de não haver feito à outra bastante mal; assim é que se esforça por aumentar sua pena com lágrimas, soluços e gestos de desolação.
Podem as mulheres, em geral ser justas, estando tão acostumadas a amar e a adaptar sentimentos pró e contra? Por outra parte,interessam-se menos pelas coisas que as pessoas; mas, quando se interessam pelas coisas, fazem deste interesse um assunto de partido, corrompendo, deste modo, sua ação pura e inocente. Daqui nasce um perigo não desprezível, quando se lhes confia a política e certas partes da ciência (por exemplo, a história). Pois haverá alguma coisa mais rara do que uma mulher que saiba realmente o que é a ciência? As mulheres desprezam-na secretamente, como se em certos pontos fossem superiores a ela. Talvez isso possa mudar, mas, por enquanto, é assim.
Essas repentinas contradições que as mulheres tem o costume de tomar, a repentina iluminação das relações pessoais pelo brilho de suas simpatias e antipatias, em suma, as provas da injustiça feminina foram rodeadasde uma auréola pelos homens anamorados, como se todas as mulheres tivessem inspirações de sabedoria, ainda sem o trípode délfico nem a coroa de louros, e suas decisões são longo tempo depois interpretadas e justificadas como oráculos sibilinos. Mas se considera que, para qualquer pessoa ou coisa, pode-se encontrar algo desfavorável, que todas as coisas tem, não somente duas, mas três ou quatro fases, é realmente difícil, em tais decisões repentinas, enganar-se completamente; até poder-se-ia dizer: a natureza das coisas está disposta de tal modo, que as mulheres tem sempre razão.
Como de duas pessoas que se amam uma é ordinariamente a que ama e a outra a que se deixa amar, nasceu a crença de que em todo comércio amoroso há sempre uma quantidade constante de amor, que, quanto mais toma um, menos sobra ao outro. Por exceção, sucede que a vaidade persuade a cada uma dessas duas pessoas que "Ela" é a que deve ser amada, de maneira que uma e outra querem deixar-se querer; daqui, especialmente do matrimônio, provém, de maneiras diversas cenas meio desagradáveis, meio absurdas.

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